quinta-feira, 13 de maio de 2010

Conversando com Jovens Consultores com mais de 50...

O artigo “Conversando com Jovens Consultores com mais de 50...” foi escrito por José Barreto Jr., Consultor associado ao IBCO - Instituto Brasileiro de Consultores de Organização e site www.ibco.org.br.


A globalização trouxe para o País a competitividade e instabilidade no mercado. As organizações buscaram vantagens competitivas para assegurarem, no mínimo, a própria sobrevivência. Assim, reestruturaram processos e tomaram outras medidas para enfrentar a nova situação.

Rapidamente, as organizações chegaram a quadros de pessoal muito reduzidos, tornando a rotina de trabalho muito desgastante. Isso obrigou os gestores e empresários à contratarem consultores para realizarem tarefas que os funcionários fixos não conseguiam executar. Assim, o Brasil entrou na era do não emprego, mas com muito trabalho.

A tendência global de reduzir efetivos trouxe novas alternativas para diversos setores da economia, pois se percebeu que era mais vantajoso contratar uma consultoria do que ter funcionários fixos com todos os encargos trabalhistas.

Trata-se de uma situação que reforça o trabalho e não o emprego. Na prática, o que ocorre é que o trabalho a ser feito é cada vez maior, mas os empregos nas estruturas convencionais estão desaparecendo rapidamente. Dessa forma, o trabalho a ser feito, cada dia mais, é realizado por profissionais sem emprego, mas não desempregados, que estejam em condições de oferecer o conhecimento e as habilidades necessárias, pelo tempo em que estas forem requeridas pelas empresas. Esse tipo de vínculo temporário e parcial inclui consultores, antigos funcionários, terceirizados etc.

Dessa forma, pode-se afirmar que a era do não emprego ajudou a revitalização da atividade de consultoria, particularmente no Brasil onde as pequenas empresas do ramo passaram a disputar o mercado com as grandes e tradicionais já estabelecidas, face aos incentivos e leis federais.

Em síntese, o vínculo no século 21 deverá ser com o trabalho que cada um sabe fazer e não mais com o emprego ou com um empregador!

Nesse momento de crescimento da consultoria no Brasil, o primeiro impasse que surge é a falta de recursos humanos capacitados. Isto ocorre em função dos poucos programas de treinamento para profissionais independentes e consultores. Aqui merece destaque os cursos de “Capacitação e Desenvolvimento em Consultoria realizados", desde de 2007, na gestão do Prof. consultor Luiz Affonso Romano, pelo Instituto Brasileiro dos Consultores de Organização (IBCO). Todavia, esses cursos não possuem vinculação com nenhum estabelecimento de ensino superior, que permitiria classificá-los como extensão livre universitária, Pós- Graduação ou MBA, dependendo da carga horária. Tal fato consolidaria definitivamente a consultoria como uma especialização reconhecida pelo MEC e abriria novas oportunidades para a atividade.

Outro aspecto que dificulta um maior crescimento da consultoria no Brasil é a falta de uma bibliografia farta, atualizada e com qualidade. Constata-se que são muito raros os livros escritos por brasileiros e os demais são traduções de livros estrangeiros que têm os seus méritos, mas refletem a realidade da atividade em seus países de origem que nem sempre condizem com nossas práticas.

Cabe aqui lembrar que o IBCO é a única Associação sem fins lucrativos vocacionada a difundir, promover, capacitar, estabelecer parcerias de interesse, congregar e zelar pela ética da atividade.

Por outro lado, o IBCO, se constitui no único Instituto Nacional, na América do Sul, que é filiado ao International Council of Management Consulting Institutes (ICMCI).

O ICMCI é a associação global dos Institutos Nacionais de Consultoria de Gestão ou seja, o órgão máximo em todo mundo. Ser filiado ao ICMCI significa que o IBCO adota padrões e critérios de classe mundial. A vantagem advinda para os consultores filiados ao IBCO está na possibilidade de receber, mediante determinados critérios, o certificado de CMC (CERTIFIED MANEGEMENT CONSULTANT), que é considerado no mundo como “a marca de excelência entre os consultores de gestão”.

Isto posto, pode-se afirmar que apesar das dificuldades e lacunas ainda existentes, a consultoria é e será cada vez mais a opção mais interessante para uma segunda carreira no Brasil. Essa afirmação está respaldada pelos seguintes argumentos:

• A consultoria possibilita levar todos os conhecimentos e experiências adquiridas, pois todos escolhem o que querem fazer;

• O crescimento da atividade econômica nos próximos dez anos estará em torno de 3,5% aa. Isto é um fato, não um sonho, que ampliará o espectro e o volume de atuação da consultoria;

• As empresas já estabelecidas e as do futuro serão “sem- emprego”, pois se trata de uma tendência mundial e o Brasil não fará diferente.Assim, maiores e melhores oportunidades surgirão para a consultoria;

• As empresas procurarão terceirizar tudo que for possível, mantendo o controle nos processos que se constituem no cerne dos produtos/serviços. A terceirização será, cada vez mais, uma importante aliada do crescimento da atividade de consultoria;

• O mercado interno brasileiro representa 80% da riqueza que circula no País.Fato que confirma a solidez da economia brasileira e proporciona excelentes oportunidades para quem tem condições de oferecer imediatamente o conhecimento e as habilidades necessárias, no tempo requerido;

• Nos próximos 15/20 anos assistiremos uma profunda transformação no Brasil e, particularmente no Estado do Rio de Janeiro. Desconsiderando os aspectos políticos, pode-se citar alguns megaprojetos, tais como o Pré- Sal, a modernização dos portos, a construção de siderúrgicas, a Copa do Mundo, as Olimpíadas, os Pólos Petroquímicos e outros grandes empreendimentos que se constituem em fatos portadores de futuro (FPF), pelas dimensões econômica, política e psicossocial que atingem e transformam a vida dos cidadãos e a dinâmica de desenvolvimento do Estado. Não há dúvida de que a consultoria já está presente e crescerá na medida em que os projetos forem se desenvolvendo.

Por fim, falaremos sobre a transição de carreira. Ainda que saibamos que um dia todos serão aposentados, reconhece-se que iniciar uma nova carreira, na casa dos 50 anos, não é uma tarefa fácil. O viver essa experiência normalmente não é prazerosa, principalmente para quem viveu intensamente e se realizou na profissão que escolheu aos vinte anos. A falta dos velhos amigos e da antiga rotina exige de nós a criação de um novo personagem para enfrentar novos desafios. O passado de nossas vidas faz parte das nossas histórias e nada poderá ser mudado. Assim, devemos seguir em frente, levando nossas experiências e entusiasmo, pois quem ama o que faz, inflama o espírito e transmite a chama. O ontem não existe mais, a não ser na memória, portanto deixemos a história em seu lugar e encaremos o amanhã com entusiasmo de vencedores renascidos. Com determinação e entusiasmo os sonhos se transformam em faróis acesos que iluminam o caminho para novas e grandes realizações. Afinal, “tudo o que puder fazer ou sonhar inicie, pois a ousadia contém genialidade, energia e magia” ( GOETHE ).

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