Nossa geração teve pouco tempo

Começou pelo fim

Mas foi bela nossa procura

Ah! Moça, como foi bela nossa procura

Mesmo com tanta ilusão perdida

Quebrada,

Mesmo com tanto caco de sonho

Onde até hoje

A gente se corta

Alex Polari

terça-feira, 14 de janeiro de 2014

Os homens do RH


Artigo editado pela revista Exame em boa hora para o início de uma reflexão sobre a "linguagem de RH" - 
Tradicionalmente dominado por mulheres, o RH está ficando cada vez mais masculino. São homens que já pedem para mudar de carreira, atraídos pela crescente função estratégica e visibilidade que a área adquiriu.

São Paulo - Foi em Paris, em julho de 2009, quando estava expatriado havia mais de dois anos, que o engenheiro Ilder Camargo, então diretor técnico de Stainless Europe da Aperam South America, recebeu o convite para assumir a diretoria de RH para o Brasil e a América Latina.

A mudança foi uma surpresa para o executivo que tinha trilhado toda a carreira em áreas operacionais. Dois anos e meio depois, o mesmo tipo de convite foi feito a Luiz Thomé de Souza, outro executivo que só tinha trabalhado em áreas de negócios ou corporativas até assumir o RH da empresa aérea Gol.

No início de 2013, foi a vez de Paulo Miri, que trocou a vice-presidência de suprimentos pela de RH na Whirlpool, fabricante de eletrodomésticos.

Doze anos antes, José Ricardo Amaro, diretor de RH da Unipar Carbocloro, do setor de cloro-soda e derivados, já tinha feito movimento parecido. Ele acabara de trocar 17 anos de experiência em auditoria por um cargo na área de pessoas da Brasil Telecom.

O movimento feito pelos quatro executivos tem acontecido com cada vez mais frequência nas companhias. Geralmente, o topo da empresa tem olhado para seus profissionais mais estratégicos e lançado a eles o convite para assumir a área de gestão de pessoas.

A consequência curiosa dessa migração é que a área de recursos humanos — tradicionalmente feminina — está sendo dominada pelos homens. De acordo com a pesquisa Top Executive Compensation, feita com 322 empresas pela consultoria Hay Group, a concentração de mulheres no RH vem diminuindo, especialmente quando consideramos o primeiro nível.

O estudo aponta que, em 2008, 21% das executivas participantes da pesquisa ocupavam a diretoria de recursos humanos. Em 2013, essa fatia caiu para apenas 14%. Sim, uma das explicações para esse fenômeno é o fato de mais mulheres terem optado por carreiras em outras áreas da empresa.

Mas a principal razão da evasão feminina do RH é a busca da própria companhia por profissionais de outros setores — já dominados por homens — para assumir a gestão de pessoas. Segundo Daniela Simi, diretora do Hay Group, há dez ou 15 anos o RH era muito mais feminino porque estavam lá pessoas oriundas do curso de psicologia, historicamente escolhido mais pelas mulheres. E isso mudou.

Se, antes, os psicólogos — como lembra Daniela — eram os mais cotados para liderar a área, hoje os administradores de empresas — e entram aí também os engenheiros — são os preferidos.

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