Nossa geração teve pouco tempo

Começou pelo fim

Mas foi bela nossa procura

Ah! Moça, como foi bela nossa procura

Mesmo com tanta ilusão perdida

Quebrada,

Mesmo com tanto caco de sonho

Onde até hoje

A gente se corta

Alex Polari

terça-feira, 10 de março de 2015

No país dos coxinhas e petinhas!

"Escrevi esse artigo em 2015 de tão irritante que estava o momento político. Depois de dois anos começou a aparecer no blog como dos mais lidos da semana. O Grupo Governista da época, nas eleições de 2014, me vendeu um país que não existia e talvez nunca tenha existido pela rapidez como veio abaixo. Uma vez afirmei que a esquerda pertence aos poetas enquanto esquerda. Uma vez no poder, cria-se a corte e uma militância que vive das migalhas atiradas" 

Tanto o Grupo Governista quanto o Grupo Não Governista são alvos de ataques insanos nas redes sociais e na mídia. A imprensa anos atrás era muito questionada porque não comentava as matérias, apenas as lia, ou transmitia como queiram. Os artistas eram questionados porque não se engajavam nas realidades sociais. Hoje a imprensa comenta e os artistas se engajam. Em sua maioria maciça, os comentários contra esta ou aquela imprensa, contra este ou aquele artista, quando se manifestam, são movidos por raiva, ódio e quase intolerância. Não existe um “respeitar” a opinião do outro. Não pode. Você não pode me questionar. Quem é você para me questionar? 

 O Grupo Governista que tinha o apoio de todas as forças deste país em 2003 começou a perdê-la a partir de fevereiro de 2005 quando demonstrou que era “mais do mesmo”. Até as últimas eleições, a oposição se comportava no mesmo estilo do antigo MDB, ou seja, oposição consentida. A criminalidade dos “pés de chinelo” aumentou sensivelmente (matar por matar para garantir o crackinho), a corrupção que sempre houve, porém discreta, mostrou caras e garras e o desrespeito à coisa pública virou prática comum. Lembro que na campanha presidencial de 2010 a alta mandatária eleita afirmava que iria combater com unhas e dentes o avanço do consumo do crack.

Ninguém mais respeita a coisa pública porque a coisa pública não respeita mais ninguém


Se sou petinha e apoio o Grupo Governista deve ser porque tenho interesse pessoal, sou comissionado e sou massa de manobra. Se sou coxinha e apoio o Grupo não Governista deve ser porque pertenço à elite branca que quer a revogação dos benefícios sociais e a volta do Raimundo como um simplório fazedor de “bicos” e não como profissional qualificado. Pasteurização total como o amarelado artigo do Juca Kfouri. Se ele escreveu então é novidade. Por elite branca entenda que são todos os contrários aos petinhas, não importando a renda familiar, a cor e a religião. Até perdi um amigo de respeito no Face porque contra argumentei uma opinião dele. Não soube ser democrático, só sabia ser admirado

A convocação para o dia 15 de março ganhou outra convocação para o dia 13. Clima de decisão Flamengo e Fluminense, Palmeiras e Corinthians, Cruzeiro e Atlético, Grêmio e Internacional ou Bahia e Vitória. Black blocs de plantão e a serviço das duas convocações. 

Penso que o que queremos é a ampla, total e irrestrita moralização pública e política no país dos coxinhas e petinhas. Sem mentiras e chantagens emocionais. O fim dos discursos governistas e não governistas pasteurizados, repetitivos e muitas vezes sem o menor fundamento e um grande, mas um grande abraço coletivo.

Em janeiro de 2003 o Brasil estava pronto para a grande e suprema chegada ao futuro e o novo Grupo Governista tinha a faca e o queijo nas mãos. Penso que vai demorar muito para termos o mesmo clima que tínhamos naquele saudoso janeiro. 

Os politburos instalados na América Latina tem o mesmo estilão. Cesta básica ou quase básica para a militância. Os não militantes que se “virem nos 30!”


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